sábado, 14 de fevereiro de 2015

Forma de tratamento

Resultado de imagem para formas de tratamento formal

    O comentário que aqui deixo, expressa perplexidade perante um fenómeno da área linguística  -  que é a nossa, minha e da Henriette, académica e profissionalmente  - que tem a ver com o Texto Bíblico.

    As Versões bíblicas em português usam, todas, a 2ª pessoa do plural dos verbos nas frases de comunicação direta em narrativas em que dialogam interlocutores, ou quando o autor se dirije aos leitores.
    Por exemplo :
    «(...) Vós, Irmãos, fostes chamados à Liberdade.
    Porém não useis da Liberdade para dar ocasião à carne.
    Sede antes servos uns dos outros.»
Carta de São Paulo aos Gálatas, 5 : 13.
    Enquanto que na linguagem corrente é a 3ª pessoa do plural que é usada.
    Por exemplo, na passagem citada :
    «Vocês, Irmãos, foram chamados... não usem da Liberdade... sejam antes servos...»

    A 2ª pessoa aparece tanto nas Versões com origem no Brasil como em Portugal; de iniciativa protestante ou católica romana; em linguagem corrente ou mais clássica.  Mesmo as mais recentes.
    Com duas exceções.  A Versão "O LIVRO", e a "Bíblia-Para-Todos".   Da primeira fui responsável.  E na segundo fiz parte da equipa de revisão.   Estes dois Textos da Bíblia usam a 3ª pessoa verbal, do plural - e bem -  como forma de tratamento com o destinatário.
    Duas outras recentes Versões em português, a "Bíblia King James" e a "Almeida 21" são renitentes no uso  -  que considero obsoleto  -  da 2ª pessoa do plural, "Vós fostes..."  ( em vez de "Vocês foram..." )

    Porquê esta insistência na manutenção de uma expressão linguística que não é de emprego corrente ?
    Não sei responder !
    Dá dignidade ao Texto ?
    Não. Não dá.  Torna-o antes mais distante, porque mais arcaico.
    Há ainda regiões a norte de Portugal em que os mais idosos tratam os outros usando a 2ª pessoa do plural dos verbos.  Mas o português corrente não.
    No Brasil não sei se haverá pessoas que ainda se expressam usando assim os verbos.
    De qualquer maneira não é português atualizado !
    Não entendo a razão porque não se põem todas as Versões, quanto antes, com o português de Hoje.

«O Senhor respondeu e disse :
Escreve a visão, grava-a sobre tábuas,
para que    possa lê-la
até quem passa correndo...»
    Habacuque 2 : 2.
    É este o cuidado que deveria haver com a edição do Texto Sagrado.

«Escreve nele  
de maneira inteligível»
    Isaías 8 : 1.


Etiquetas:

sábado, 2 de agosto de 2014

«Adorar», «Estar apaisonado(a) por...»

 

    Entraram na nossa linguagem corrente, no português de agora, aplicadas a uma generalidade de coisas e de situações, para além das que, historicamente, lhes são próprias.

    São como um bordão linguístico, usado quando se quer dar ênfase emocional à expressão de uma emoção forte, de uma grande admiração :  "Adoro as praias do Algarve !"  ( por exemplo... )  "Adorei ver este filme !"  Ou na publicidade:  "Você vai adorar isto...!", 

    Ou quando se quer dizer que se gosta imenso : "Estou apaixonado(a) por este jogo...",  "Você vai apaixonar-se por este produto...!"

    É uma vulgarização semântica desvalorizadora de conceitos que tinham um conteúdo específico, bem definido há tempos.

    E ouvem-se estas duas estruturas até nas igrejas.  Com frequência.

    Adorar : só Deus ! Ponto final.

    É o primeiro Mandamento do Decálogo, no Sinai.   Qualquer transposição de sentido é um atentado verbal à honra de Deus !.

    Mais :  "Estar apaixonado por Jesus",  por exemplo, que se ouve e que se tolera em igrejas evangélicas é também uma fórmula atentória da dignidade de uma Fé verdadeira.

    Para além do empobrecimento semântico que isso representa.

    "Paixão" é um sentimento humano, extremo, temporário, volúvel.

    Não deve,  não pode,  ser aplicado ao Amor a Deus, a Jesus, a seja o que for exprimindo a nossa relação com o divino.

    A Linguagem, evolui;  não é estátca, nem estagnante.  Com certeza. É incontestável.

    Mas há limites de coerência, de verdade semântica.

    No caso, e na situação que estou tendo em mente e que motiva este comentário, são os Líderes, os Pastores, os  Anciãos quem têm um papel imprescindível neste campo.

    O crente honra Deus, dá seriedade e dignidade à sua Fé pela forma como expressa oralmente a sua relação, a sua vivência com o Senhor, seu Pai, seu Redentor, que ele ama e por quem é amado divinamente !

    E não só.

   A expressão escrita da sua Fé e da sua Vida critã  -  tal como TUDO o que faz, diz e escreve  -   deve ser adequada e correta, segundo as normas vigentes do país em que vive e/ou do qual é cidadão.

    Ser sincero  - acha toda a gente  - é falar com palavras que saiem do coração.  É bonito, com certeza.  Não há dúvida.  E Deus ouve quem lhe fala com sinceridade...

    Mas dar expressão ao que pensamos e queremos dizer fazendo-o com correção, com exatidão e até com beleza, se possível, é a forma do crente, filho de Deus usar o dom divino maravilhoso que é a Fala e a Linguagem.

    «A língua dos Sábios
adorna o Conhecimento»
    Provérbios 15 : 2.

Etiquetas: